sexta-feira, novembro 24, 2006

“Matateu – A oitava maravilha”

Um livro sobre Matateu, ora aí está uma excelente ideia no meio desta floresta de publicações que diariamente nos anunciam. O autor, é o jornalista Fernando Correia, o respectivo lançamento será hoje, no Estádio do Restelo, onde mais poderia ser!
Não podia passar em claro esta notícia, aqui, para mim, que o vi jogar desde as Salésias, até…já nem me lembro, tudo isto aconteceu há séculos, no Belenenses!
Passou pelo Atlético, por outros clubes, já em fim de carreira, foi pena não o termos conservado sempre entre nós, como o irmão, o grande Vicente!
Fez vida no Canadá e regressou um dia pela mão do Rosa Freire, passou em frente à tribuna, todos de pé, aplaudimos, a maioria nunca o viu jogar, mas aplaudiu com mais força. Era uma lenda, um repentista, que fazia miséria em dois ou três metros de terreno, depois o remate de qualquer ângulo, quase da linha de fundo, e ainda assim a bola entrava!
Marcou golos à Inglaterra, estreou-se contra a Argentina e com esse nome baptizou a sua filha. Estou a escrever ao sabor da memória, que poderá certamente ser corrigida com a leitura do livro.
Que há-de fazer menção ao Mercedes que levou o seu nome e foi táxi de grande longevidade! Que há-de lembrar que a seguir a um jogo com o Sporting, foi levado em ombros nas Salésias.
Que saudades do Matateu…

terça-feira, novembro 21, 2006

A resvalar

O que o telefone me disse e eu acredito foi o seguinte:
Uma primeira parte inacreditável, em que não criámos verdadeiro perigo junto à baliza do Estrela da Amadora. Na segunda parte, o costume – aquele domínio de jogo que o adversário consente porque está a ganhar, domínio improfícuo, incapacidade absoluta para marcar um golo, verdade que todos os belenenses reconhecem.
Subsistem algumas perguntas:
Porque é que entramos sempre mal no jogo? Porque é que nunca surpreendemos pela positiva? Com raça, com garra, não confundir com frenesim ou violência gratuita.
Sim, porque é que nunca existe um jogador dos nossos que se destaque, que tenha o seu dia de glória?! Fora de casa, naturalmente.
Porque é que Ruben Amorim, esperançoso craque, não há-de ele brilhar a grande altura, empurrando a equipa para a frente, fazendo jus aos elogios recentes da comunicação social! Insisto, porquê?
Porque é que nada disto nos acontece e sempre acontece aos outros? Ao menos uma vez, por engano!
Já experimentaram fazer estas perguntas aos vossos botões? Qual a resposta?
Podia ser esta:
Temos uma equipa muito fraquinha, não interessa agora justificar o facto com o “caso Mateus”. Para além disso, os jogadores não sentem a necessária pressão directiva, a mesma que se vê nos nossos adversários, que nenhum treinador pode substituir, por mais disciplinador ou exigente que seja.
Existe um espírito fraco no nosso Clube, que lá se infiltrou e instalou há muito! Se quiserem chamem-lhe falta de ambição, resignação, não é o adjectivo que interessa. Que existe uma predisposição para a derrota, isso é evidente. Nota-se em tudo, desde a euforia com que são saudadas as vitórias nas outras modalidades, à raiva que se abate sobre tudo e todos a seguir às derrotas no futebol, nas declarações do treinador e dos jogadores, até nos programas mediáticos em que o Belenenses fala de si próprio.
Estarei eu a arrasar com o resto?
Não pensem nisso, porque o resto já não dá para arrasar.
O resto que falta resume-se a levantar de novo a cabeça, apostando tudo, a cave inteira, no futebol.
Para não descer de divisão, só isso.
Como é que isso se faz?
Com reforços para a equipa, mas sobretudo, para o Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Saudações azuis.

domingo, novembro 19, 2006

Jornal à minha maneira

A grande preocupação do “domingo desportivo” da TVI, que vai para o ar ao sábado, quando o Benfica joga ao sábado, é saber porque é que o Benfica perdeu, e não porque é que o Braga venceu!
Isto responde em certa mediada ao editorial do director do jornal “A Bola”, do mesmo dia. Mas esse é outro assunto e noutro postal lá chegaremos.
O Sporting de Braga ganhou bem, deu um festival de futebol na primeira parte, com recuperações de bola constantes que assim impediam o seu adversário de organizar o ataque em boas condições.
Depois, balanceavam-se ligeiros na ofensiva, abrindo crateras na defensiva encarnada! Apesar disso e graças a um livre inventado pelo árbitro Benquerença, e da colaboração do guarda-redes arsenalista, o Benfica chegou ao empate, sem saber ler nem escrever!
Mas não havia volta a dar. O Braga carregou novamente e marcou o segundo golo antes do intervalo.
A segunda parte, menos espectacular, revelou uma tentativa do Benfica em inverter os acontecimentos mas a equipa anfitriã tinha a lição bem estudada, controlou a partida, e ainda lhe sobrou tempo para apontar o terceiro golo.
Seria interessante que os comentadores de serviço se tivessem debruçado, sem cair, sobre a metamorfose bracarense, que em determinados momentos do jogo atingiu o brilhantismo!
Mas não, andaram para ali a gemer hipóteses e ameaças em cima da cabeça do Fernando Santos, desvalorizando a vitória do adversário.
Em resumo, boa aposta do presidente do Braga em Rogério Gonçalves, independentemente dos juízos de valor negativo que se possam fazer, e eu faço-os, a propósito deste novo “prec” (leia-se - processo revolucionário em curso) que consiste em roubar treinadores aos clubes mais pequenos!
O eterno lema do Robin Dos Bosques português, que a populaça adora: roubar aos pobres para dar aos ricos.
Depois queixam-se!!!
Saudações azuis.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Em contra pé

Talvez não seja o momento mais oportuno para lançar este debate, justamente quando a selecção das quinas se apresta para mais um desafio com vista ao seu apuramento para o mundial de futebol.
Talvez.
Mas isto está cada vez mais desinteressante, as longas interrupções estão a matar o nosso campeonato, afastam o público, e tudo por causa dos enfadonhos e desnecessários grupos de qualificação, que inevitavelmente confirmam as equipas mais apetrechadas, aquelas que alimentam o interesse e as finanças dos organizadores, e que não podem deixar de estar presentes nas respectivas fases finais.
Acresce que nesta santa terrinha, as coisas são sempre levadas ao exagero, incluem-se na propaganda do regime, e por isso, ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis e de outros países, optámos por parar os campeonatos! Quinze dias sem bola ao fim de semana, é muito tempo para preparar um jogo com o Cazaquistão! E os clubes a pagar aos jogadores, com as despesas fixas cada vez mais fixas, etc.etc....
A solução no futuro passa por aligeirar o sistema, acompanhando os tempos, eliminando preliminares. Seria preferível aproveitar os ranking dos últimos europeus e mundiais, para, a partir daí, estabelecer um número razoável de participações automáticas, que no fim de contas acabam sempre por acontecer. Os lugares em aberto seriam preenchidos com o recurso a eliminatórias, tanto quanto possível, próximas da data da realização do evento, garantindo assim que as equipas presentes estariam em boa forma.
Evitavam-se assim uma série de convocatórias, deslocações, lesões e outros inconvenientes, que só prejudicam e comprometem o êxito das fases decisivas, as únicas que verdadeiramente interessam ao público.
Acabavam também algumas fantasias e mentiras, como sejam o facto de estarmos a defrontar um Azerbaijão, por exemplo, que inclui na sua equipa três ou quatro brasileiros! Que tipo de interesse têm estas falsas selecções. E não é só o Azerbeijão, como bem sabemos.
Por isso, está dito: campeonatos da Europa e do Mundo a sério, a doer, naquelas três ou quatro semanas em que jogam os melhores contra os melhores.
O resto, são excessos de protagonismo da UEFA e da FIFA.
E não só.
JSM

terça-feira, novembro 07, 2006

À atenção do Belenenses

Hoje a primeira Liga de Futebol Profissional chegou à seguinte situação:
Existem três clubes, Benfica, Sporting e Porto que reúnem a esmagadora maioria dos adeptos, a esmagadora maioria dos apoios, e um tempo de antena por parte dos media também esmagador!
Estes clubes vivem exclusivamente para as competições europeias porque o campeonato interno, nas actuais condições, só lhes dá prejuízos. E pelas mesmas razões são obrigados a investir num quadro técnico e em jogadores de alta craveira, claramente acima das suas possibilidades financeiras, mas única forma de conseguirem resultados na Europa.
Seguindo esta lógica, a ‘formação’ fica tapada pelos jogadores contratados e vai rodar para uma ou mais equipas satélites na mesma primeira Liga. Aqui faço parênteses para relembrar que a formação destes três clubes, mais o caso especial do Boavista, açambarca a maior parte dos jovens talentos do mercado.
Depois surge o Boavista que, quer gostemos ou não, conseguiu aproximar-se em termos de influência, organização, formação e resultados, dos três clubes já citados, a que acresce o benefício de ser o segundo clube da cidade do Porto, sem concorrência depois do desaparecimento do Salgueiros.
Por fim convém olhar para o fenómeno madeirense: trata-se de uma região que se desenvolveu com a autonomia e que apresenta índices semelhantes à região de Lisboa e Vale do Tejo, assegurando condições para manter na primeira Liga dois clubes, que têm vindo a crescer, e que lutam normalmente pelo acesso às competições europeias.
È uma situação nova, que não existia antes da autonomia.
Feito o retrato, que só peca por defeito, concluímos que os três primeiros lugares da Liga estão reservados para Porto, Benfica e Sporting e que os três ou quatro lugares seguintes serão normalmente ocupados pelo Boavista, pelos clubes da Madeira e eventualmente pelo Braga, um clube em ascensão graças aos bons negócios com a venda de jogadores, sem esquecer o forte apoio autárquico.
A partir daqui surgem uma amálgama de clubes que lutam para não descer e onde há que contar com a forte concorrência dos satélites, reforçados com os jovens talentos excedentários dos três clubes do estado.
A pergunta é esta: e tu, Belenenses, qual é o teu lugar no meio disto tudo?
Termino com uma frase que estou cansado de repetir – a vida não está nada fácil para os clubes, como o nosso, que queiram manter a sua independência...
Se nada se fizer o futuro é incerto e perigoso.
À atenção dos belenenses.

sábado, novembro 04, 2006

Da antevisão à realidade

A gente sonha com o bife, com as batatas, com o ovo a cavalo, mas a realidade está sempre a acordar-nos, e se quiseres bife, não é no Restelo. Pelo menos por enquanto.
Então vamos lá a ver o que é que Jesus inventou: sem alas, o jogo dependia da circulação de bola que saísse dos pés de Silas e Zé Pedro, muito encostados à lateral esquerda, e da resposta ofensiva dos dois trincos com que alinhámos à partida – Sandro e Pinheiro. Teriam que avançar no terreno, aproximar-se da área e rematar ou passar em condições, o que não era fácil face à muralha leiriense. Sandro ainda ameaçou dois remates, Pinheiro rematou uma vez de muito longe, e na primeira parte, ficámos por aqui quanto ao desdobramento ofensivo dos trincos!
Pelas alas, sem alas de raiz, é difícil furar e assim sucedeu – Sousa fez dois movimentos interessantes mas não conseguiu centrar em condições. Do lado esquerdo ganhámos alguns cantos que se continuarem a ser marcados pelo pé esquerdo de Zé Pedro continuarão a ser inofensivos. Quando não está o Amorim não há ninguém para marcar os cantos daquele lado? É que a bola, para fugir da linha de fundo, vem muito para dentro e não dá hipóteses de cabeceamento com êxito. Vou repetir isto até me convidarem para conselheiro técnico do clube.
Entretanto o que é que se passava com os dois pontas de lança! Tinham pouco apoio – Roma ligeiramente mais expedito que o costume conseguiu flectir e entrar na área mas estatelou-se na hora de rematar e perdeu-se uma boa ocasião para abrir o activo antes da União de Leiria.
União de Leiria que começava a tomar conta do jogo graças ao bom desempenho de duas promessas portistas – Ivanildo, que viria a marcar o golo decisivo e Paulo Machado, um armador a ter em atenção!
Não foi portanto contra a corrente do jogo que sofremos o golo, há uns bons minutos que a ala esquerda da União estava a atarantar Sousa e companhia! Curiosamente o centro que apanhou Sousa desposicionado, veio do outro lado, mas era do corredor esquerdo que surgiam as ameaças.
E veio o intervalo e com ele duas coisas, uma boa e outra má: a boa foi a alteração azul, saindo Sousa e recuando Pinheiro para o seu lugar para dar entrada, finalmente, a um extremo, Eliseu. Com esta alteração os sectores juntaram-se, o Belenenses avançou no terreno, Dady, o melhor do Belenenses, passou a ter mais apoio e começaram a surgir jogadas de perigo. Na retina ficou um remate tremendo de Zé Pedro a que Fernando correspondeu com uma grande defesa!
A coisa má que aconteceu foi o dilúvio que transformou o jogo numa batalha naval, numa lotaria, em que não tivemos a sorte pelo nosso lado. Lutámos muito, mas era difícil naquelas condições. O empate seria um bom prémio para tanto esforço.
Os sócios compreenderam a atitude e aplaudiram a equipa no fim do jogo. Uma raridade nas derrotas!
Eu abandonei o estádio cabisbaixo e habituado. E não houve bife.
Saudações azuis.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Antevisão

Amanhã, a noite há-de trazer chuva, estarei preparado; como já combinei uma gazeta ao trabalho durante três horas, não vai por certo haver problema. Chegarei a tempo de ver os golos, serão três, uma salva de palmas de despedida, e a seguir, uma ceia prometida.
Se ganharmos, bife do lombo com aquele molho especial; não existe outra hipótese porque só há bife do lombo!
Será então altura para dissecarmos a partida, o onze inicial, as substituições, o golo do Zé Pedro, talvez na ressaca de um canto, ou será o Ruben que se adianta um bocadinho para estoirar do meio da rua! Claro que se assim for, teremos outro trinco, o Sandro quem sabe! O importante é que a defesa mantenha coesão e que o Gaspar continue a subir de forma. Para quando um daqueles golos de antigamente, na sequência de um corner! Faço aqui uma ressalva: estes golos de defesas que vão lá à frente dependem muito da tensão da bola, nada de centros muito curvilínios e encaracolados – isso só serve para os golos directos.
Reparo que me intrometi sem querer na área técnica, não volta acontecer.
Não vou falar dos lesionados, mas espero que tenhamos ala esquerda, o Fernando, por exemplo, mais forte porque o terreno estará por certo pesado e escorregadio.
Nivaldo e Alvim vão confirmar progressos e o Sousa estará sereno e eficaz.
Silas capitão, não acrescento mais nada.
E não posso concluir sem falar no Dady: agora que já marcou, que revela progressos técnicos assinaláveis, antevejo que vai ser sempre a aviar. Atenção ao jogo de cabeça, treino diário, bi-diário, a toda a hora. Resolvida esta imperfeição, o perigo rondará a área adversária.
Lá estou eu a fazer concorrência ao Jesus!
Não há azar porque amanhã é para ganhar. Ora aqui está uma boa palavra de ordem!
Jogamos com quem?
Saudações azuis.

PS: Esta antevisão é como o molho universal, vale para todos os jogos.