segunda-feira, outubro 17, 2005

Crónica activa

Não reactiva, sinal dos fracos que só jogam quando estão a perder!
Mas o que é que andaram a fazer nestes quinze dias? A treinar o quê?
Ter que mudar tudo ao fim de meia hora de jogo é bom, e é mau ao mesmo tempo! É bom porque revela que o treinador viu o que toda a gente está a ver. É mau, porque o treinador imaginou que aquilo podia dar certo!
Os nomes das coisas:
- A questão mental é incontornável. Parece uma equipa de “tortolhos”, que não sabe dar um pontapé na bola, dando por outro lado a sensação que o adversário é uma equipa de “argentinos”, uma super equipa!!!
Ora, nada disto é verdade. Passa-se efectivamente qualquer coisa!?
- Casos caricatos: dois cartões amarelos na nossa defesa ao fim de quinze minutos de jogo, motivados por faltas a meio campo, completamente desnecessárias!
Os golos consentidos. Amaral, por duas vezes ausente e batido no jogo aéreo, por dois jogadores diferentes!? Ando a falar nisto desde o princípio da época. Se o rapaz é um craque, não parece. Precisamos de jogadores consistentes e concentrados.
O Sousa e o Sandro têm lugar nesta equipa. São mentalmente mais fortes.
Aquela primeira parte...só tem um nome – trágica.
O velho Glauber chegou e sobrou para todo o meio campo do Belenenses!
A segunda parte melhorou com as substituições: Ruben Amorim merece mais oportunidades. É neste momento o único construtor de jogo que temos! O estreante Araújo está ainda muito verde, mas sabe passar uma bola.
O resto, depende de Meyong, que nem sempre resolve.
Isto não está famoso.

sábado, outubro 15, 2005

Os canibais e o cavalo de Àtila

A fonte é o Correio da Manhã de hoje, sábado 15 de Outubro de 2005, porque a imprensa livre da especialidade, não se refere ao assunto: “Transferência de Miguel na PJ” – Auditoria detecta irregularidades no negócio com o Benfica, em 2000”.
(...) foi a auditoria pedida por António Oliveira (presidente do Estrela) às contas das gestões anteriores, que fez vir à tona este caso...”
É preciso continuar? Claro que não.
Já escrevi e rescrevi que o submundo futebolístico onde alegremente vegetamos, é uma coutada do nacional-benfiquismo, a que eu não há maneira de me habituar! Sei que a norte também existem sintomas preocupantes, que podem alterar a minha visão de conjunto do sistema: se calhar o tratado de Tordesilhas recuou no tempo e no espaço, principalmente no espaço. Creio que ninguém tem dúvidas que estamos com menos espaço (metros quadrados, kilómetros quadrados, etc.)!
Mas deixemos os canibais, e já que hoje me deu para revisitar a história, lembrei-me de Àtila e do seu cavalo!
Pois é, a propósito da crise do Vitória de Setúbal!
O principal clube de uma região, que já conheceu melhores dias, corre o risco de abrir falência, enquanto as municipalidades de Alcochete e Seixal abrem as suas portas de par em par para receber os clubes da capital!!!
Já ninguém se lembra do Seixal na primeira divisão?! E do Barreirense?! E do Montijo?! E da CUF?! E do Amora?!
Voltando ao Vitória, é preciso acrescentar que a Câmara de Setúbal é forte accionista da respectiva SAD. Mesmo assim não se vê futuro. Talvez um construtor civil, na mira dos negócios do Bonfim? Talvez...
Encerremos então: Àtila, temível rei dos Hunos, que espalhou a desolação e a morte por onde passava, gostava de afirmar a sua lenda, dizendo – “chão onde a pata do meu cavalo pisar, não cresce mais erva...”
Aplicado ao distrito de Setúbal, poderia também dizer-se que Câmara que caia nas mãos da malta de Abril, já se sabe que o clube da terra vai à vida, enquanto os canibais engordam.
Àtila, obrigado pela inspiração.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Notas à margem

Em Portugal é assim. Quando pensamos em política, falamos de futebol, quando pensamos em futebol, falamos de política!
Por isso, lá vai: O primeiro-ministro resolveu apanhar uma boleia no Falcon da Força Aérea para ir ver o jogo da selecção nacional em Aveiro. A despesa já estava orçamentada, juntando-se assim o útil ao agradável. Útil porque o apoio do Chefe do Governo era muito importante para a moral dos rapazes, e agradável porque nestas condições o adepto Sócrates podia desfrutar de uma boa jogatana de futebol. Tudo bem?
Não, tudo mal.
Se estamos em maré de contenção de despesas, o melhor é desorçamentar umas quantas. E se por razões técnicas o Falcon tem que voar, que voe sem o primeiro-ministro a bordo, em função do seu calendário específico. Por outro lado, penso que já chega desta futebolite aguda em que o País está envolvido, verdadeiro caso psiquiátrico de um povo, que parece que não tem mais nada que pensar ou fazer na vida.
Já chega de ver, nos camarotes dos grandes clubes de futebol, ao lado dos respectivos presidentes, ministros e ex-ministros, deputados e ex-deputados, juízes e magistrados, e toda uma série de aspirantes a cargos públicos, que buscam na visibilidade que o futebol e a televisão patrocinam, uma evidência que em situações normais nunca teriam.
O Portugal Futebol Clube tem que acabar e com ele, todas as promiscuidades que mantém com políticos, magistrados, autarcas, e outros interesses pouco recomendáveis. Nesse sentido, seria bom que o primeiro-ministro desse o exemplo, guardando uma distância higiénica do fenómeno.
Afinal, tanta coisa por causa de um jogo de futebol?
Estou inteiramente de acordo.

domingo, outubro 09, 2005

Nasceu uma estrela

O dia 7 de Outubro de 2005 não se apagará facilmente da nossa memória!
Futuras crónicas dirão que, enquanto o sol entardecia no Restelo, um jovem com oito anos subia ao relvado (sintético, por sinal) e em poucos minutos resolveu substituir-se ao astro rei e iluminar, em lances de génio, toda aquela imensa plateia, há tanto tempo saudosa de um novo “Di Pace”.
O rapaz não é argentino, mas parece, tendo em vista os truques e malabarismos que faz com o esférico.
Trata a bola por tu, não é preciso dizer mais nada!
Ou talvez seja. A velocidade sem bola, de um Narciso; a solidez defensiva de uma Torre de Belém, o Feliciano, quem sabe?! Mas é no remate, que vislumbro o Matateu!
O jovem, belenense do coração, não conhece evidentemente todas aquelas legendas que povoam o imaginário da grande família Belenenses, mas desconfia que somos todos uns sonhadores.
Se calhar, desconfia e é verdade.
O rapaz chama-se Kiko.
Fixem este nome!

sexta-feira, outubro 07, 2005

As Verdades

Raramente num simples comentário, se toca tão fundo na origem da doença que vai minando o Belenenses. Por essa razão decidi transformar em postal esta oportuna intervenção, certo de que o autor não se importará porque é a favor do Belenenses.

“Também não vi em directo o jogo com o EA, mas o resultado em nada me admirou. Contra o UL e o VG as nossas exibições foram fracas e muito pouco convincentes, mas as vitórias, ambas por 2 golos, deram a ideia errada de que tudo estaria bem. Nada mais falso e perigoso, como agora se viu. A verdadeira questão não é termos perdido, mas sim como perdemos: jogando sem vontade, sem ambição, sem humildade, sem ponta de categoria/classe. O problema de sempre do nosso CFB, com níveis de exigência competitiva teimosamente baixos, estratégias condicionadas pelo eterno medo de assumir objectivos claros e ambiciosos, desresponsabilização permanente dos principais actores. Esta cultura de derrota e mediocridade está arreigada no clube há "séculos" e dá cabo dele e de nós, sócios que são do Belenenses e de mais ninguém e não se contentam com um CFB saneado financeiramente, mas também eternamente saneado do espírito ganhador que está naturalmente associado à sua fundação. O clube precisa, como aliás o País, de se libertar deste pesadíssimo fardo e de explicar (urgentemente) porque é que existe. Se for para continuar nesta vidinha, estará rapidamente liquidado e será melhor deixar de competir a nível profissional o quanto antes. O passado do Belenenses é soberbo, mas não nos satisfaz: queremos presente e futuro, com seriedade, humildade mas também ambição. Para tal é necessário mudar o espírito nefasto a que aludi. A mudança terá de ser induzida de cima para baixo, tocando todos os níveis do clube. Provavelmente, não serão os actuais responsáveis que a farão. Então, os numerosos sócios que, como tenho lido em variados sítios, sentem que o verdadeiro problema do clube é este, têm que se chegar à frente. Caso contrário, não é demais repeti-lo, o Belenenses não sobreviverá, pelo menos nos moldes actuais.”
FQ

segunda-feira, outubro 03, 2005

Frontalidade

De saudar a clareza e frontalidade com que, olhos nos olhos, o holandês Koeman “saudou” os jornalistas numa recente conferência de Imprensa – “oportunistas”!
No sentido de dizerem hoje uma coisa e o seu contrário, ao sabor das derrotas e vitórias dos mesmos clubes. E deu o exemplo do Sporting, o melhor do mundo quando ganhou ao Benfica, e péssimo, agora, porque foi eliminado na UEFA e perdeu com o Paços de Ferreira.
Incapazes de se distanciarem do “coração” ou de mudarem de mentalidade (no mínimo, terceiro mundista), os jornalistas que temos (quase todos), perdem literalmente a compostura e frieza de raciocínio, especialmente quando se “metem” a analisar as prestações de Benfica e Sporting, aliás, as únicas que lhes interessam!
Ignoram assim as suas responsabilidades perante os leitores, e contribuem para níveis de intoxicação nunca vistas, e que em certa medida explicam os frequentes desacatos e violências que se verificam após os jogos em que intervêm os chamados três grandes.
E isto que se passa com o futebol, assunto nacional por excelência, estende-se a todos os outros domínios da informação, fazendo de Portugal um dos países mais imbecilizados da Europa. Os índices, todos os índices comparativos, espelham infelizmente esta realidade.
Que tenham de vir, entretanto, dois holandeses chamarem-nos a atenção para o facto, é triste.

sábado, outubro 01, 2005

Sem ver

Por razões profissionais, não vi o jogo nem sequer pude ouvir o relato. Um telefonema, desconsolado, comunicou-me o resultado. O Estrela da Amadora foi ganhar ao Restelo, por duas bolas a zero!
Que dizer?
Li hoje o “Record” e a crónica do jogo, assinada por Rui Dias, a dado passo diz o seguinte: “ (...) O Estrela surgiu no Restelo conhecendo perfeitamente as regras do que iria encontrar. Encaixou-se bem no 4-4-2 azul e criou problemas com duas setas na frente (Manu e Semedo), colocadas fora das zonas dos centrais, manobra com a qual o adversário demorou a saber lidar. Os primeiros minutos foram decisivos...”.
Lembrei-me então do que escrevi sobre o jogo Porto-Belenenses!
Bem, mas passado é passado, e acreditando na sabedoria chinesa, lembremos o ditado – “ a derrota é a mãe da vitória”.
Voltemos então ao drama, para ver se aprendemos alguma coisa: a falta de concentração, a táctica inflexível, as laterais que não funcionam e ainda por cima, segundo li, dão abébias, a falta de sentido do passe, especialmente a meio-campo, e, finalmente... alguns jogadores do Estrela tinham lugar no Belenenses! E se calhar, podiam lá estar (Semedo, Rui Duarte, Manu,...).
E tantos cartões, para tanta apatia! Estranho!
As mini-férias, vão decerto fazer-lhes bem a eles, e a nós também.
Sem outro assunto...