quarta-feira, junho 22, 2005

Redução de clubes (continuação)

O caso da Madeira

A situação da Região Autónoma da Madeira é um “case study”. Beneficiando do inegável desenvolvimento Regional (sinal de que os fundos têm sido bem aplicados) os Clubes madeirenses estão na Super Liga. Entretanto, quando o Dr. Jardim, por uma questão económica e de lógica ambição, propôs uma fusão, para em melhores condições a Madeira poder discutir o título nacional, os madeirenses recusaram, em nome das rivalidades paroquiais. Lembremo-nos que foi a única vez que o “amado” líder foi assobiado! Daqui, podemos concluir que os madeirenses têm uma feroz rivalidade entre eles? Claro que não. O que se passa, é mais uma vez o reflexo de um fenómeno de colonização interna. Por detrás da inconciliável reunificação, é a rivalidade de sempre entre os três Grandes que está presente, funcionando os clubes madeirenses como mero 2º clube e uma “mini-arena” de despiques!

segunda-feira, junho 20, 2005

O Futebol para lá da SPORT TV

Enquanto existirem Sábados e Domingos e enquanto houver futebol ao ar livre...
Enquanto houver Estádios como o do Restelo e for agradável lá ir... ou se conseguirmos tornar aquele espaço ainda mais atraente e agradável para lá ir...
Então a Direcção deve esforçar-se por produzir espectáculos de futebol, na sua (nossa) sala de espectáculos, nesses dias.
Estou-me a lembrar que antigamente (devo estar a ficar velho) víamos sempre pelo menos um jogo de futebol (refiro-me a futebol sénior - primeiras ou reservas) durante o fim-de-semana. Agora, se o Belenenses joga fora, estamos quinze dias sem ver futebol a sério!
Pergunta-se, para que servem as salas de espectáculo? E os artistas, são só para treinar? E a Associação de Futebol de Lisboa, para que é que serve? É só para as camadas jovens?
Bem, se não houver respostas satisfatórias para isto, temos que pensar numa equipa B.
Entretanto vemos a TV, rima e é verdade.

sábado, junho 18, 2005

A redução de Clubes

Conseguiram. Sem qualquer plano para o futuro do futebol português, reduzidos à condição menor de fazerem uns “fretes” aos Grandes Clubes e aos grandes (e obscuros) interesses que gravitam à sua volta, as “luminárias”, lá conseguiram fazer aprovar mais uma proposta avulsa que vai prejudicar todos os clubes pequenos!
Não conheço ainda os resultados da votação mas admito que terá obtido “largo consenso” entre “subservientes”, “saudosistas” e “idiotas úteis”.
Mas, afinal para que serve reduzir a Super Liga de 18 para 16 Clubes? Qual é o objectivo que se pretende alcançar?
Para um adepto com uma inteligência mediana é muito difícil perceber o que é que essa redução “aquece ou arrefece” na melhoria de algum dos aspectos menos positivos, que claramente afectam o futebol português?!
Para lá de se arranjarem mais umas datas, para os Três Grandes fazerem uns quantos jogos particulares para ganharem dinheiro, e para mais uns quantos estágios e jogos das inumeráveis selecções do Dr. Madaíl, não se descortinam outras vantagens nem, repito, qualquer programa para atenuar os profundos desequilíbrios que manifestamente impedem que tenhamos um futebol transparente e rentável!
Efectivamente, quando se pretende reformar alguma coisa, é necessário perceber que objectivos se pretendem atingir.
Os diagnósticos estão feitos mas ninguém quer tirar as conclusões óbvias... Quando se chega à altura das conclusões, o “coraçãozinho” retardado e saudosista fala mais alto e só conseguimos ouvir aquele fado – “oh tempo volta para trás”!!! E surgem então as conclusões ridículas...
Já escrevi sobre isto. Não é preciso ser uma “luminária” para perceber quais são os desequilíbrios do futebol português. Estão à vista de todos, e o objectivo de qualquer reforma deverá ser reduzi-los, e não acentuá-los:
- O público (inclui todos aqueles que se interessam e de certa maneira contribuem para alimentar o fenómeno) constituído esmagadoramente, (como não se vê em mais nenhum País civilizado) por adeptos dos três grandes – e isto vale para todo o território nacional, incluindo a Assembleia da República - é o primeiro grande desequilíbrio e que origina todos os outros. É um problema mental, que convinha não acentuar... Esta redução de clubes, a pedido dos Grandes, não vai remediar nada, antes pelo contrário!
A mentalidade “anti-competitiva” que habita em nós, herdada, adquirida, agora não interessa ao caso, fabricou a sociedade imóvel, receosa, em que vivemos mas que é preciso alterar rapidamente. Porque senão estamos daqui a uns anos a discutir se devemos ou não reduzir o campeonato para quatro ou apenas três clubes!? Mas aí já não devemos ser um País que mereça ser independente...
Podíamos, neste ponto, fazer um exercício de reflexão e perguntar às “luminárias” o seguinte – se na Super Liga, só há adeptos para verem os jogos dos três Grandes, então que pensar sobre a Liga de Honra... e, meu Deus, a II Divisão B? Terão esses clubes algum adepto que seja só desse Clube? Então que sentido faz estar a alimentar campeonatos profissionais que não têm público? Há dinheiro para isso? Ter 2º e 3º clube não será um luxo? Não deveria pagar imposto? As reduções não deveriam começar, e em força, por aqui?
- O outro grande desequilíbrio está na comunicação social que funciona única e exclusivamente, como caixa de amplificação dos interesses dos Grandes. É caso para dizer que o “Robin dos Bosques”, se fosse jornalista português, andava a roubar aos pobres para dar aos ricos!? Por aqui não vale a pena acrescentar mais nada... A redução foi pedida por eles...
- Outro grande desequilíbrio, e também consequência da mesma mentalidade, são as contas (as que se conhecem e as que não se conhecem). O desequilíbrio distributivo é escandaloso e não se vê nenhum dos “reformadores” preocupado com isso (e as vítimas nem reclamam!).
- Finalmente, o desequilíbrio esperado, este de natureza geográfica. Já viram que porção do território nacional é “ocupado” pela Super Liga? Dá-nos a certeza que não estará longe o dia em que só haverá futebol “nacional” em Lisboa e Porto!?
Ora bem, chegados aqui, cansados desta viajem ao interior da ignorância, façamos ao menos justiça ao futebol jogado nas quatro linhas e aos seus intervenientes (inclui jogadores, treinadores, médicos, massagistas e... alguns dirigentes) afinal o sector mais equilibrado (competitivo) do futebol português! Aliás, contra a vontade do “público”, da comunicação social... e das “luminárias”!!!

quinta-feira, junho 16, 2005

De volta com algumas nomeações

Depois de um curto “Interregno” cá estou eu de volta ao convívio azul. Não foi fácil. Fortemente assediado, consegui resistir a algumas propostas de transferência, a custo zero, e vi-me envolvido num pacote, comprado ao Quilo por um desses emblemas famosos, para depois ser emprestado outra vez ao clube onde já estou a jogar.
Não assinei.
No caminho, e quando pensava que já estava tudo resolvido, recebo uma última proposta, quase irrecusável, para deixar de incomodar a blogosfera com as minhas teorias!
Mas aí, o coração falou mais alto e o Belenenses merece.

Sendo assim passemos de imediato às nomeações:

  1. Direcção e SAD do Belenenses – pela atitude firme e desenvolta como vêm conduzindo a preparação da nova época. É isso pelo menos o que transparece para fora, o que já é bom. E é novidade no Restelo!
  2. O presidente do União de Leiria – não conheço o homem de lado nenhum, nem ele deve saber que falamos dele no Belém Integral, no entanto tenho que reconhecer que não me enganei quando escrevi aqui o que escrevi – lembram-se do postal “Apoiar Bartolomeu”? Pois bem, o homem merece mesmo ser apoiado.

Terminadas as nomeações, peço agora a atenção da Direcção do Belenenses para que nas próximas reuniões da Liga vote contra a redução de clubes (tal como a proposta aparece, desinserida de qualquer estratégia global para o futebol português) e que ao contrário, encare a hipótese de produzirem mais e melhores espectáculos desportivos, e não menos!
Sem vaidade, - ver sobre o assunto, o que já escrevi no “Diga 33” e “Teoria da Conspiração”.
Uma última questão e a propósito do que diz Dias da Cunha sobre a (futura) “Comissão de Análise” do desempenho dos árbitros, entretanto sujeitos à vigilância do ProZone – a dita Comissão só será independente se incluir representantes que não sejam afectos aos Grandes (ex-árbitros só, não chega...).
Saudações azuis.

P.S. O ProZone pode depois ser utilizado pelo Carvalhal para ver quem é que corre e quem é que não corre!


quarta-feira, junho 15, 2005

Artur José Pereira

“Estrela” antes do tempo

Nascido em Belém (Lisboa), em 1889, Artur José Pereira foi unanimemente considerado o melhor jogador de futebol em Portugal até aos anos 30, pelo menos, sendo uma das primeiras grandes "estrelas" nos relvados nacionais. "A. J. Pereira", como era conhecido, começou a jogar futebol para os lados das Salésias, em Belém – o grande viveiro de jogadores portugueses no início do século.
Na primeira década do século XX, os jornais costumavam dividir as equipas existentes em dois tipos: "grupos fortes" e "grupos fracos". Em 1903, "A. J. Pereira" alinhava como médio-centro no Sport União Belenense ("grupo fraco"), mantendo-se nessa equipa até 1905. Nesses dois anos, muito por mérito do jovem jogador, a formação belenense passou a ser considerada "grupo forte". Depois disso, a qualidade demonstrada por "A. J. Pereira" levou-o a ingressar no Grupo "Cruz Negra", onde se manteve entre 1905 e 1908.
Em 1908, passou para o Sport Lisboa, actuando habitualmente a médio-esquerdo, embora desempenhasse também o lugar de médio-centro nas ocasiões em que Cosme Damião não podia jogar. Nesse mesmo ano, o Sport Lisboa mudou-se de armas e bagagens de Belém para Benfica, como resultado da fusão com o Sport Benfica, "A. J. Pereira", embora triste por deixar de representar a sua terra, acompanhou o Sport Lisboa para Benfica e sagrou-se campeão regional de Lisboa em 1910, 1912, 1913 e 1914, alinhando a médio-esquerdo ou médio-centro e assumindo-se como um dos principais esteios da equipa benfiquista. Já nesta altura, o jogador era conhecido pelo seu feitio irascível, fazendo da competitividade uma das suas grandes armas. Perder não era para "A, J, Pereira", que dava sempre tudo em prol da equipa, em todos os jogos. Durante a época de 1913/14, apesar de alcançar o título regional, " A J. Pereira" desentendeu-se com alguns directores do Benfica e aceitou o convite do Sporting, pelo qual se sagrou campeão de Lisboa em 1915. Nesta altura, a presença do "craque" desequilibrava mesmo... Diz-se que no Sporting, "A.J. Pereira" recebia dinheiro para jogar e que tinha prioridade no uso da única banheira de água quente existente no Lumiar.
Os "leões" voltariam a ser campeões de Lisboa em 1918/19, última época em que "A.J. Pereira" defendeu as cores do clube, dado que pôde finalmente concretizar o grande sonho da sua vida ao fundar um "clube forte" no seu bairro de sempre: o Clube de Futebol "Os Belenenses". Em 1919, Belém voltava a ter um clube influente e o seu principal "ídolo" regressava a casa, acompanhado de excelentes jogadores nascidos na zona e que estavam espalhados pelos melhores clubes da capital. Juntos chegariam, logo no ano seguinte, à final (perdida) do Campeonato Regional de Lisboa, frente ao Benfica.
Aos 33 anos, o "capitão geral" do Belenenses "AJ. Pereira" despediu-se do futebol, enquanto praticante, a 26 de Março de 1922, no dia em que o "seu" Belenenses perdeu novamente a final do Campeonato de Lisboa, desta vez para o Sporting. "A. J. Pereira" foi o "capitão azul".
Durante a sua extensa carreira foi várias vezes seleccionado para a equipa representativa de Lisboa (alinhou nos oito primeiros encontros contra o Porto, com excepção do 5º), fazendo também parte da equipa da Associação de Futebol de Lisboa que em 1913 se deslocou ao Brasil. Ao serviço do SL Benfica e do Sporting CP fez diversas digressões por Espanha, reforçando também, em certas ocasiões, o FC Porto nas suas saídas ao estrangeiro ou quando recebia ilustres equipas europeias, como sucedeu com os franceses do Mêdoc.
A vida de "A. J. Pereira" continuaria ligada à modalidade como treinador do Belenenses, durante muitos anos, transmitindo aos seus jogadores a competitividade e espírito de sacrifício que o haviam caracterizado como atleta, contribuindo decisivamente para vários triunfos importantes do clube, como foi o caso do Campeonato de Lisboa de 1926 ou os Campeonatos de Portugal de 1927 e 1929. Nesta função, "A J. Pereira" pôde ainda orgulhar-se de ter sido o mestre de grandes nomes do futebol português como "Pepe", Augusto Silva e César de Matos. Faria dupla técnica com Cândido de Oliveira, em finais dos anos 30, no Belenenses e na selecção nacional. "A.J. Pereira" foi ainda árbitro competente e respeitado, merecendo a distinção de Sócio de Mérito da Associação de Futebol de Lisboa. Viria a falecer em 1943, três anos antes do "seu" Belenenses se sagrar campeão nacional. Tinha então 53 anos.

In “A Paixão do Povo” – HISTÓRIA DO FUTEBOL EM PORTUGAL

quarta-feira, junho 08, 2005

05/06 - Ponto da situação



Ao Ataque

Mais dois reforços anunciados no site oficial – Hassan Ahamada e Fábio Januário, num total de oito até agora, e todos para o meio-campo e ataque.

São avançados com características semelhantes ao Paulo Sérgio e ao Eliseu mas para o lado direito, ficando assim o plantel com dois jogadores por flanco.
Tendo em conta que na época passada não era muito frequente a utilização de jogadores com estas características, o Eliseu praticamente não jogou e o Paulo Sérgio jogava deslocado da sua posição, é provável que se confirme o empréstimo do Eliseu. Até porque à semelhança do Paulo Sérgio estes dois jogadores podem jogar pelos dois flancos.
O que me parece um facto é que o plantel está a ficar definitivamente melhor em qualidade e agora também em termos de opções tácticas. Mas será positivo alertar para um erro que foi cometido. Uma equipa deve ser construída de trás para a frente. Na época passada isso não aconteceu e foi necessário corrigir em Janeiro, é por isso importante que não se descure a defesa.